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Projeto de gestão de águas do Incra/MT é finalista do Prêmio ANA 2020

Publicado: Sexta, 04 Dezembro 2020 21:36 | Última Atualização: Sexta, 04 Dezembro 2020 21:37
Coordenado pelo engenheiro agrônomo Samir Curi, o projeto já venceu premiação do MMA em 2018 – Foto: Incra/MT
Coordenado pelo engenheiro agrônomo Samir Curi, o projeto já venceu premiação do MMA em 2018 – Foto: Incra/MT

O projeto “Implementação de Tecnologias Sociais e Educação Ambiental em Comunidades do Alto Pantanal Mato-Grossense” é um dos 24 finalistas do Prêmio ANA 2020, criado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) para reconhecer e valorizar as melhores práticas e iniciativas voltadas ao cuidado e gestão das águas do Brasil.

Desenvolvido pelo Incra em Mato Grosso, sob a coordenação do engenheiro agrônomo Samir Curi e colaboração de diversos outros profissionais da autarquia e entidades/ órgãos parceiros, o projeto está em funcionamento desde 2009 e tem conseguido bons resultados no que se refere à redução das crises cíclicas de falta de água para atividades escolares e da agricultura familiar.

Os dados do Incra/MT apontam como conclusão que os projetos ambientais executados de 2009 a 2018 atenderam sete assentamentos na microrregião do Alto Pantanal, com cerca de 360 famílias e 500 alunos de duas escolas do campo no município de Cáceres (MT). Também indicaram que a segurança hídrica trazida pelo projeto contribuiu para melhorar o rendimento escolar nos alunos das duas escolas, bem como para um aumento de renda no campo e uma redução do êxodo rural.

O coordenador Samir Curi possui mestrado em Agricultura Tropical, foi professor universitário em disciplinas de irrigação e hidráulica agrícolas e trabalhou na extensão rural na Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer/MT) com projetos de irrigação para agricultura familiar. Desde 2009 atua no Incra/MT com tecnologias sociais visando soluções sustentáveis para agricultura familiar.

Segundo Curi, a escolha para ser um dos 24 finalistas do Prêmio ANA 2020 é a constatação de trabalho na gestão de águas em Mato Grosso. “Na minha visão, esta premiação reconhece que as tecnologias sociais implantadas estão conduzindo a resultados sustentáveis. Em especial no acesso à água, no aumento de renda na agricultura familiar e na diminuição do êxodo rural. Mas para essa transformação continuar é fundamental incluir todas essas tecnologias sociais na educação escolar e comunidade, para que a próxima geração tenha novos conceitos ambientais e prossiga a mudança”, considera o engenheiro agrônomo.

Potencial de difusão

As tecnologias sociais do projeto do Incra/MT estão indicadas para atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), que mesclam as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental. Além de contribuir com os Objetivos do Milênio (ODM), também da ONU.

Por ter baixo custo e bons resultados, as tecnologias sociais do projeto podem ser replicadas em comunidades rurais de dezenas de municípios brasileiros, considerando o capital existente nas diversas localidades, como opção para a solução de problemas relativos ao meio ambiente, à ampliação da economia local, à redução das desigualdades sociais e ao aumento da cadeia produtiva e da geração de emprego e renda.

Essa tecnologia trazida pelo projeto do Incra/MT pode ajudar muito na segurança hídrica de Mato Grosso, onde estima-se existir aproximadamente 150 mil famílias na agricultura familiar. Na atividade, a grande maioria necessita de acesso à água e preservação ambiental, principalmente na época seca do Cerrado, de maio a outubro. No estado existem ainda cerca de 150 escolas rurais do campo de nível médio e escolas municipais na área rural também com dificuldade de acesso hídrico para atividades básicas.

O projeto

Embora o Pantanal mato-grossense seja conhecido pela fartura de água – com a imagem simbólica de rios, lagos e lagoas –, a segurança hídrica é um problema em boa parte da região, principalmente de maio a outubro, com destaque para a microrregião do Alto Pantanal. A seca dura em média seis meses e, no período, os corixos (pequenos lagos formados na época das chuvas) ficam contaminados e a captação subterrânea é muito difícil, porque o lençol freático é profundo e muitas vezes a água é salobra.

No município de Cáceres, distante 220 quilômetros da capital Cuiabá, existem sete assentamentos da reforma agrária, com 360 famílias e três escolas do campo. Por 20 anos, os agricultores assentados e os 500 alunos dessas escolas sofreram com constantes faltas de água. Foram feitas diversas tentativas de resolver o problema, como o bombeamento de água de um córrego distante cerca de 15 quilômetros e a perfuração de poços artesianos. Porém, as propostas apresentadas não resolveram o problema, por conta do alto custo da energia elétrica; da falta de mão de obra qualificada para gerenciar a estação de bombeamento; e da exigência de uma grande demanda de água para o consumo animal.

No entanto, o projeto do Incra/MT buscou resolver o problema com alternativas ambientalmente sustentáveis: foram selecionadas e implementadas diversas tecnologias sociais sustentáveis, como captação da água da chuva, cisternas, barraginhas da Embrapa, lago de uso múltiplo, biofossa e reservatório para piscicultura.

Dessas, tiveram melhores resultados a captação de água da chuva – sem custos e utilizada para uso doméstico, em atividades educativas e produtivas –, e a captação de água das enxurradas, que prolongou a umidade do solo na microbacia, aumentando o nível nas cacimbas (tipo de poço). Atualmente são abastecidas 150 famílias e duas escolas, mas com potencial para ampliar muito para outros assentamentos e unidades educacionais.

Outro resultado positivo foi a melhoria na renda familiar, com aumento de produção na pecuária de leite e a geração de novos empregos numa região que vinha enfrentando o êxodo rural.

O projeto mostra a necessidade de inúmeras soluções integradas para a questão ambiental. Sendo assim, as tecnologias sociais sustentáveis implementadas são fundamentais para a agricultura familiar e para o meio ambiente da região, visto que cada uma contribui para uma determinada solução.

O trabalho é resultado de parceria firmada entre Incra/MT, Juizado Volante Ambiental de Cuiabá (Juvam Cuiabá), Justiças Federal e Estadual de Cáceres, World Wildlife Fund (WWF), Consórcio Nascentes do Pantanal (São José dos Quatro Marcos), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Empresa Matogrossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Universidade Federal do Estado de Mato Grosso (UFMT), Prefeitura Municipal de Cáceres, Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT), Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE-MT), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Ministério Público Federal (MPF).

O projeto do Incra/MT já foi vencedor do 7º Prêmio Melhores Práticas A3P/2018, realizado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), ficando em primeiro lugar.

Premiação

A cerimônia na qual foram escolhidos os finalistas foi realizada de forma virtual, transmitida por redes sociais, em 2 de dezembro de 2020. Os 24 projetos finalistas do Prêmio ANA 2020 estão distribuídos em oito categorias, sendo que o projeto do Incra/MT disputa como Governo. Todos os finalistas passam a poder utilizar em seus materiais de divulgação do projeto o “Selo Prêmio ANA: Finalista”, de acordo com as regras do concurso. Os vencedores de cada grupo serão anunciados até março de 2021.

As iniciativas selecionadas terão a oportunidade de apresentar suas ações em eventos virtuais, a partir de janeiro de 2021, como forma de dar maior visibilidade aos trabalhos realizados. O objetivo desses encontros é servir como vitrine para os projetos finalistas terem suas ideias compartilhadas com públicos que podem disseminar pelo Brasil as boas práticas relacionadas às nossas águas – sentido maior movedor da premiação.

Criado há 14 anos pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico para, o Prêmio ANA é a mais tradicional premiação do setor de águas do Brasil e já contabilizou 2.952 trabalhos inscritos, tendo premiado 40 projetos de todas as regiões que se destacaram pela sua contribuição ao desenvolvimento do país.

Confira a lista de finalistas do Prêmio ANA 2020

Assessoria de Comunicação Social do Incra
imprensa@incra.gov.br
(61) 3411-7404

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